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Campanha cobra de partidos candidaturas viáveis e comprometidas com o extremo-oeste

(Em 1 de abril de 2026)

Iniciativa mobiliza a sociedade civil, agentes políticos e setor empresarial – foto: assessoria

 

Estudo apresentado no Codefoz mostra relação entre representatividade política e valor em repasses estaduais e federais para as cidades.

Os 18 municípios do extremo-oeste contribuíram com R$ 23,2 bilhões em imposto nos últimos quatro anos. Em contrapartida, como exemplo, receberam apenas R$ 130 milhões em verbas de deputados estaduais entre 2019 e 2025, mostra estudo debatido no Conselho de Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz) nessa terça-feira, 31. Esse descompasso tem nome: representatividade política.

Campanha da sociedade civil irá cobrar de partidos políticos o lançamento de candidaturas parlamentares viáveis nas eleições de 2026 e comprometidas com os municípios da região. E dialogar com a comunidade sobre o voto qualificado, isto é, em representantes capazes de trazer melhorias e avanços efetivos para o território.

O diagnóstico que relaciona representatividade política a maiores investimentos é uma iniciativa do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de Medianeira (Codemed) e da Caciopar (Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Oeste do Paraná). Os números estão sendo apresentados em entidades das cidades.

Cidades do exremo-oeste querem ampliar e qualificar a representatividade política – foto: assessoria

No último pleito, o extremo-oeste tinha 414 mil cidadãos aptos a votar, dos quais 333 mil exerceram esse direito — 82 mil eleitores (20% do total) se abstiveram das urnas. O levantamento demonstra que o déficit de representatividade é agravado pela dispersão eleitoral, já que centenas de candidatos de fora capturam votos na região.

Em 2022, dos 860 candidatos a deputado estadual no Paraná, 682 receberam votos na região; dos 600 postulantes ao cargo de deputado federal, 529 tiveram votação nas 18 localidades vizinhas. O recorte local revela que o eleitorado de Foz do Iguaçu destinou votos a 586 concorrentes à Assembleia Legislativa e a 396 que buscavam um assento na Câmara Federal.

“O foco do movimento é mobilizar a sociedade, o eleitor, em torno do voto qualificado, para elegermos representantes comprometidos com o território, com as pautas da nossa região”, enfatizou Marcelo Brito, presidente do Codefoz. “A plenária do Codefoz propôs a criação de um colegiado regional para ampliar o alcance e o debate sobre a representatividade política, que também se volta aos partidos, a fim de diminuir a fragmentação, devido a candidaturas que fazem votação risível.”

Fortaleza socioeconômica, periferia política

A apresentação do estudo reuniu a presidente do Codemed, Margarete Caovilla; a diretora-adjunta da Microrregional 1 da Caciopar, Claudete Remor; o diretor-executivo do Codemed, Jaime Tezza; o diretor da Micro 1 da Caciopar, Jolmir Raimundi; e a integrante do Conselho Superior do Codemed Rita Schierholt. A ênfase foi na união e no alinhamento de um movimento regional de conscientização e diálogo, apartidário, em torno de cinco pautas macros: segurança pública, saúde de alta complexidade, infraestrutura logística, educação e estabilidade elétrica.

Representantes do Codemed e da Caciopar apresentaram o estudo – foto: assessoria

Para sustentar a ampliação da força política, os dirigentes realçaram a fortaleza socioeconômica dos 18 municípios do extremo-oeste. São quase 600 mil eleitores, com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 33,3 bilhões, que somam 5% do PIB total do Paraná — se fosse um município, seria o quarto mais rico do estado, exemplificando.

É nesse contexto que entra a representatividade política, ou a falta dela. “Para cada R$ 1 recebido, a região enviou R$ 178 para o Estado [estrutura estadual e federal]. O que vemos são cidades bem menores do que as nossas do extremo-oeste recebendo verbas muito maiores de deputados estaduais e federais”, realçou Jaime Tezza. “Reclamar não vai adiantar. O futuro da nossa região vai ser decidido por quem se organiza”, convocou.

Consenso

A plenária do Codefoz mostrou consenso entre lideranças da sociedade civil, agentes políticos e empresários de Foz do Iguaçu quanto à necessidade de aumentar a representatividade do extremo-oeste. Presidente da Câmara de Vereadores, Paulo Debrito (PL) destacou a relevância do tema e apontou que a região pode ampliar o número de deputados estaduais e federais. O vice-prefeito, Ricardo Nascimento (PSD), frisou que a sociedade deve propagar os dados apresentados sobre o desequilíbrio entre os impostos pagos e os recursos que retornam de parlamentares.

Os vereadores Sidnei Prestes (Mobiliza), Adnan El Sayed (PSD) e Dr. Ranieri Marchioro (Republicanos) também se posicionaram. É necessário conscientizar as lideranças da região pelo voto em prol do território, argumentou Sidnei. Já Adnan ressaltou a articulação necessária para que emendas parlamentares sejam aplicadas na finalidade real nos municípios. E Dr. Ranieri defendeu que os números do estudo apresentado no Codefoz sejam difundidos entre a população em linguagem acessível e direta.

 

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